
Compreende coleta, estruturação e análise de bancos de dados sobre utilização de recursos de saúde; revisões sistemáticas da literatura; elaboração de modelos econômicos e preparação de dossiês para submissão ao Ministério da Saúde e às Operadoras do Sistema Suplementar de Saúde.
COLETA DE DADOS PRIMÁRIOS E SECUNDÁRIOS DE CUSTOS E DESFECHOSEstruturação e análise de bancos de dados
No Brasil, as informações em saúde sobre desfechos clínicos e utilização de recursos estão documentadas, geralmente, em prontuários médicos, de forma desestruturada. O objetivo da organização dos dados é permitir a uniformização e organização da informação e possibilitar a extração de diferentes análises através dos dados armazenados. A análise de um banco de dados permite, por exemplo, a obtenção de valores estatísticos para determinadas variáveis da amostra (médias, desvios padrões...), além de possibilitar a identificação de tendências na amostra populacional. Assim, uma vez identificado o perfil da amostra analisada, testes estatísticos são realizados para validar se a informação poderá ser extrapolada para a população dentro de um determinado intervalo de confiança.
Coleta de dados primáriosREVISÃO E ANÁLISE CRÍTICA DA LITERATURA CIENTÍFICA
É de suma importância a qualidade dos dados de entrada (inputs) nos modelos econômicos (eficácia/efetividade e utilização de recursos/custos). Quando se utilizam informações robustas e de qualidade para a elaboração das análises, os resultados se tornam mais confiáveis e fidedignos. Os dados sobre utilização de recursos em saúde (custos) podem ser secundários ou primários. A coleta de dados primários consiste em trabalho de campo, com o recrutamento de pesquisadores, treinamento dos mesmos, elaboração ou escolha do instrumento de coleta, realização de estudo-piloto (pré-teste do instrumento) e a coleta propriamente dita. Pode ser realizada de diferentes formas: através de entrevistas com os pacientes, questionários autopreenchíveis, dentre outras.
Consiste no processo de síntese da produção científica acumulada sobre um tema específico. Engloba as etapas de busca na literatura dos artigos publicados, sua análise crítica e a elaboração de um sumário de seus achados principais, acompanhado de uma discussão e reflexão sobre as conclusões encontradas. Pode apresentar metodologia sistemática para a identificação, seleção e avaliação crítica dos estudos, sendo chamada de Revisão Sistemática. Quando a revisão sistemática é acompanhada de uma análise estatística para combinar e sintetizar os resultados dos vários estudos, é denominada Metanálise. As revisões sistemáticas e as metanálises estão no topo da hierarquia para a qualidade da evidência de estudos epidemiológicos e são freqüentemente utilizadas como os dados de entrada dos modelos econômicos desenvolvidos pela MedInsight.
MODELAGEM TEMÁTICAModelos são frameworks matemáticos, que permitem a integração de dados clínicos, de custos e expertises diversos, convertendo-os em desfechos que sejam de interesse para tomadores de decisão.
Os modelos são sempre uma "aproximação" da realidade e seus resultados são condicionados aos dados de entrada do modelo. As estruturas mais conhecidas são:
Árvore de Decisão
Modelos de Markov
Simulação de Eventos Discretos
Em linhas gerais, as etapas de construção de um modelo seguem as etapas elencadas abaixo:
Definir problema, objetivo e perspectiva
Elencar alternativas de tratamento
Avaliar desfechos e probabilidades
Mensurar uso e custo de recursos
Calcular resultados esperados
Avaliar incertezas
ANÁLISE ECONÔMICAOs principais tipos de análises e estudos para auxílio à tomada de decisão são as análises de custo-efetividade, custo-benefício, custo-utilidade, estudo do custo da doença e análise de impacto orçamentário.
Análise de custo-efetividade
A análise de custo-efetividade mensura os custos, em unidades monetárias, de duas ou mais alternativas de tratamento, e suas efetividades em unidades não monetárias, denominadas unidades naturais, como, por exemplo, anos de sobrevida após uma determinada intervenção em saúde.
A análise de custo-efetividade é a melhor opção quando são comparadas duas ou mais intervenções para um mesmo desfecho em saúde, pois permite estimar o custo incremental por unidade adicional de efetividade alcançada. Trata-se da modalidade mais utilizada nas análises econômicas em saúde.
Análise de custo-benefício
Ao contrário da análise de custo-efetividade, a análise de custo-benefício pode ser utilizada para comparar tratamentos para diferentes indicações clínicas, bem como para comparar intervenções entre diferentes setores da sociedade, como saúde, educação, habitação e segurança. Todos os custos incorridos e os benefícios resultantes são expressos em unidades monetárias. Ao final da análise, as intervenções que proporcionam um benefício maior que seu custo constituem alternativas vantajosas, pela visão econômica.
Análise de custo-utilidade
A análise de custo-utilidade (cost-utility analysis) é uma forma especial de análise de custo-efetividade, na qual o custo incremental por unidade adicional de utilidade (unidade que está relacionada ao bem estar do indivíduo) é calculado. Trata-se de análise que estima as preferências do indivíduo, contemplando um componente qualitativo para a tomada de decisão, ao contrário das demais categorias de análises, que são apenas quantitativas. As unidades mais comumente utilizadas são Quality-Adjusted Life Years (QALY) e Disability-Adjusted Life Years (DALY). Existem dois métodos básicos para a obtenção dos valores de utilidade aplicados às avaliações econômicas: uso de valores obtidos em estudos prévios ou aplicação de instrumentos baseados em métodos como Standard gamble e Time trade-off.
Esse tipo de análise permite a comparação de diferentes tratamentos para diferentes doenças.
Estudo do custo da doença
O estudo do custo da doença, tradução do termo em inglês cost-of-illness study, representa um método econômico descritivo que, associado aos dados de prevalência, incidência, morbidade e mortalidade, auxilia na mensuração do impacto para a sociedade decorrente de uma doença específica.
O estudo do custo da doença não é categorizado como análise econômica, pois não compara intervenções e não avalia desfechos em saúde. O objetivo é estimar a carga ou impacto de uma doença para priorizar a alocação de recursos em políticas públicas de saúde, orientar fundos para pesquisa e identificar as doenças que mais comprometem o orçamento da saúde.
É importante considerar, neste caso, as diferentes categorias de custos.
Custos diretos
Os custos diretos são aqueles diretamente resultantes das intervenções. Os custos diretos são divididos em médicos e não-médicos. Exemplos de custos diretos médicos são: diárias hospitalares, exames complementares, medicamentos, honorários médicos, próteses e órteses. Exemplos de custos diretos não-médicos são: transporte do paciente ao hospital, honorários de contratação de um "cuidador" temporário para o período de convalescença do paciente.
Custos indiretos
Os custos indiretos, também chamados de custos sociais, resultam da perda de produtividade associada ao absenteísmo ou à mortalidade precoce. Exemplos de custos indiretos são: falta de produtividade de um trabalhador que se encontra internado ou em consulta ambulatorial e do seu acompanhante, temporariamente impedido de trabalhar.
Custos intangíveis
De difícil mensuração, incluem, entre outros, o custo da sobrecarga psicológica do paciente e o custo do prejuízo de sua qualidade de vida e bem estar.
ANÁLISE DE IMPACTO ORÇAMENTÁRIO
A análise econômica é uma ferramenta eficiente de alocação de recursos para os financiadores do sistema de saúde (públicos e privados), porém não é capaz de responder às questões específicas de financiamento para o objeto da análise. Por isso, além de maximizar a eficiência na alocação dos recursos, o financiador deverá analisar se a inclusão da nova terapêutica é compatível com o seu orçamento. Existem modelos econômicos específicos para análise de impacto no orçamento, onde o financiador (operadora de plano de saúde ou secretaria de saúde) estima, a partir do número de pessoas beneficiadas e da prevalência da doença em questão, qual será o comprometimento no seu orçamento. Esta análise permite complementar a tomada de decisão sobre a incorporação da nova terapêutica.
FARMACOECONOMIA GERENCIAL
O principal objetivo das análises econômicas em saúde é subsidiar a tomada de decisão por gestores do setor público e privado, bem como embasar negociações entre estes atores. Em muitos casos, a apresentação de resultados estáticos em termos de custos e efetividades de tratamentos alternativos apresenta difícil compreensão pelos gestores e muitas vezes não se adapta às diferentes realidades dos cenários de negócio. Desta forma, surgiu a iniciativa de facilitar a compreensão dos resultados apresentados, através do uso de interfaces amigáveis e interativas. Estas interfaces permitem a customização de variáveis sobre as quais os gestores têm influência, gerando cenários para diferentes realidades encontradas no ambiente de negócios da saúde.